Terapeuta de casais Esther Perel faz sucesso falando sobre como reacender a paixão no casamento: “como desejar aquilo que você já tem?”

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Esther Perel: 'Nem toda infidelidade é um sintoma de um problema no relacionamento'
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Esther Perel: 'Nem toda infidelidade é um sintoma de um problema no relacionamento'

Quando o assunto é sexo -- assunto esse que faz muita gente gaguejar, se fechar ou fazer piadas -- Esther Perel, terapeuta de casais e autora, é excepcionalmente eloquente. Esse dom está aparentemente em alta demanda: em julho passado, Perel fez o discurso de abertura de um evento para 900 empreendedores e criativos realizado em Utah, nos Estados Unidos.

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A terapeuta é belga e fala nove idiomas. Tem um sotaque meio francês que implicitamente parece reforçar a sua autoridade. Desde 2006, quando publicou o campeão de vendas “Sexo no Cativeiro” (Editora Objetiva), Esther se tornou a oradora autoridade em sexualidade e relacionamentos no mundo da terapia de casais, assim como no cenário luxuoso da realização pessoal.

Às vezes, a pessoa procura outras companhias não porque não está gostando do parceiro; não está gostando da pessoa que se tornou

A sua palestra no TED em 2013, "O Segredo do Desejo em um Relacionamento Duradouro", teve um milhão de acessos nas primeiras duas semanas em que foi publicada, enfrentando uma aparente epidemia de casamentos com baixa libido no que, em tese, seria a era menos reprimida da História Moderna (isso pode ser parte do problema: "Como desejar aquilo que você já tem?", Perel sempre pergunta em suas palestras).

"Atualmente, o que é veemente demais não inspira", declarou Esther, tomando café no seu apartamento em Manhattan recentemente. "Mas falar sobre o mistério é imensamente inspirador". Abraçar os mistérios do desejo significa que ela também não tem a obrigação de oferecer respostas normativas para ressuscitar uma vida sexual já morta.

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"Os americanos acreditam profundamente que não existe problema sem solução – é a abordagem da Nike: simplesmente faça. Entretanto, tente aplicar isso ao erotismo?", perguntou, e depois balançou a cabeça. "Não tenho respostas como 'É isto que você deve fazer'. O que realmente digo 'É assim que acho que funciona'".

Então como exatamente ela acha que funciona? Os livros e as palestras de Esther alegam que, na busca do conforto e intimidade totais, os casais às vezes destroem qualquer possibilidade de reacender a chama.

"A intimidade torna-se cruel quando exclui qualquer possibilidade de descoberta", escreveu em "Sexo no Cativeiro". E também: "Quando não existe nada mais a esconder, não existe nada mais a procurar".

Essa noção, por mais intuitiva que possa ser para qualquer mulher comum, surgiu como uma espécie de revelação para a comunidade da terapia de casais.

Segundo Esther, a terapia de casais nos últimos 20 anos enfatiza a necessidade de segurança em um relacionamento. "No entanto, se a mulher fosse tão domesticada e tudo o que ela quisesse fosse segurança, por que todas as civilizações precisaram trancafiá-las, já que elas não iriam a lugar algum, certo?"

Perel ainda atende clientes, mas ultimamente, só aceita os que passaram por casos de infidelidade, que é o assunto do seu próximo livro a ser publicado pela HarperCollins em data ainda não definida. A sua abordagem até agora é tanto empática quanto provocativa.

"Nem toda infidelidade é um sintoma de um problema no relacionamento. Às vezes, isso tem a ver com outros anseios que são bem mais existenciais. Às vezes, a pessoa procura outras companhias não porque não está gostando do parceiro; não está gostando da pessoa que se tornou".

Ela está pronta para ser mal interpretada, declarou, se é isso o que é necessário para provocar um diálogo. "Qualquer coisa que eu possa fazer que inclua a ambiguidade nas vidas complicadas que levamos, me sentirei fazendo algo de bom no mundo", concluiu.

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