Pesquisa descobriu que a diferença no hábito de consumo é o que causa problemas: quando ambos os cônjuges abusam da bebida, a taxa de divórcios é igual à de casais abstêmios

NYT

Beber demais a dois não afeta o relacionamento, mas pode afetar outras áreas da vida em família, como a criação dos filhos
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Beber demais a dois não afeta o relacionamento, mas pode afetar outras áreas da vida em família, como a criação dos filhos

O hábito de um parceiro de beber muito aumenta o risco de divórcio. Mas a bebida não afeta o casamento se ambos os cônjuges têm o mesmo hábito​​, segundo um novo estudo.

Os pesquisadores acompanharam cerca de 650 casais pelos primeiros nove anos de casamento e descobriram que a taxa de divórcio era de quase 50% para os casais em que apenas um dos parceiros bebia demais. Beber além da conta foi definido como tomar seis ou mais drinques de uma só vez ou ficar bêbado.

A taxa de divórcio para casais em que nenhum dos dois tinha o hábito de beber demais ou em que ambos o faziam ​​foi de 30%, de acordo com o estudo, divulgado na edição de dezembro da publicação “Psychology of Addictive Behaviors” .

"Nossos resultados indicam que é a diferença entre os hábitos de consumo do casal, e não a bebida em si, que leva à insatisfação conjugal, separação e divórcio", disse o autor Kenneth Leonard, diretor do Instituto de Pesquisa sobre Vícios na Universidade de Buffalo, em uma nota de imprensa da universidade.

“Esta pesquisa fornece evidências sólidas para reforçar a noção comum de que o alcoolismo de um parceiro pode levar ao divórcio. Embora algumas pessoas possam pensar que é um resultado provável, surpreendentemente haviam poucos dados científicos para sustentar essa afirmação até agora”, acrescentou.

Os pesquisadores ficaram surpresos ao descobrir que a taxa de divórcio para dois bebedores pesados ​​não era maior do que para um casal de abstêmios.

"Cônjuges que bebem demais podem ser mais tolerantes com as experiências negativas relacionadas ao álcool devido a seus próprios hábitos de consumo", disse Leonard.

Mas isso não significa que beber demais, mesmo que a dois, não arruine outras áreas da vida familiar. “Dois bebedores pesados podem não se divorciar, mas podem criar um clima particularmente ruim para seus filhos”, observou ele.

Leonard concluiu: “Esperamos que nossos resultados sejam úteis para terapeutas de casal e profissionais de saúde mental, que podem avaliar se uma diferença de hábitos de consumo de álcool está de fato causando conflitos entre os casais que procuram ajuda”.

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