Novo estudo americano sugere que pessoas classificadas como "viciadas" em sexo podem simplesmente ter muita energia sexual

NYT

A expressão "vício em sexo" costuma ganhar atenção imediata quando usada para explicar alguma excentricidade romântica, especialmente quando a afirmação parte de uma celebridade. No entanto, uma nova pesquisa americana coloca em dúvida se as pessoas podem realmente ser "viciadas" em sexo. O novo estudo da Universidade da Califórnia (UCLA), em Los Angeles, sugere que esse "vício" pode ser uma energia sexual exacerbada.

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"É a primeira vez que cientistas estudam especificamente respostas do cérebro de pessoas que se identificam como tendo transtorno hipersexual, que é o chamado ‘vício em sexo’", afirma a autora do estudo Nicole Prause, pesquisadora do departamento de psiquiatria da UCLA, em um comunicado de imprensa da universidade.

Controvérsia

Vício em sexo geralmente é diagnosticado em pessoas que têm desejos sexuais que parecem fora de controle, que se envolvem com frequência em comportamentos sexuais, que sofreram consequências, tais como divórcio ou ruína econômica, como resultado de seus hábitos sexuais e que não conseguem interromper esses comportamentos.

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No entanto, a existência de vício em sexo é controversa e o transtorno não foi incluído no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), considerado a "bíblia" dos psicólogos e psiquiatras, que foi recentemente atualizado.

No novo estudo, a equipe de Prause analisou respostas do cérebro de 39 homens e 13 mulheres, com idades entre 18 e 39 anos, cujas pontuações em questionários sobre comportamentos e hábitos sexuais foram semelhantes às de pessoas que procuraram tratamento para hipersexualidade.

A existência de vício em sexo é controversa e o transtorno não foi incluído no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM)
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A existência de vício em sexo é controversa e o transtorno não foi incluído no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM)

"Apresentamos um conjunto de fotografias para os voluntários. Essas imagens foram cuidadosamente escolhidas para evocar sentimentos agradáveis ​​ou desagradáveis", explicou Prause. "As fotos incluíam imagens de corpos desmembrados, pessoas preparando refeições, gente esquiando e, claro, sexo. Algumas das imagens sexuais eram românticas, enquanto outras mostravam a relação explícita entre um homem e uma mulher."

O pensamento por trás do experimento foi que, se uma pessoa fosse realmente viciada em sexo, as imagens de conteúdo sexual produziriam um aumento na atividade cerebral - da mesma forma que imagens de cocaína já foram mostradas para viciados em drogas para alterar suas atividades cerebrais.

No entanto, "a resposta do cérebro às imagens sexuais não foi prevista por qualquer das três medidas do questionário de hipersexualidade," de acordo com Prause. "A resposta do cérebro era apenas relacionada com desejo sexual. Em outras palavras, hipersexualidade parece não explicar as respostas do cérebro a imagens sexuais mais do que apenas ter uma libido em alta.”

"Potencialmente, esta é uma descoberta importante", disse Prause. "Se o nosso estudo puder ser repetido, estes resultados representariam um grande desafio para as teorias existentes de ‘vício’ em sexo." O estudo foi publicado este mês na revista “Socioaffective Neuroscience and Psychology”.

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