Trecho de documentário sobre Marina Abramovic se espalhou nas redes sociais, mas relacionamento com Ulay foi mais complicado do que parece. Veja o vídeo e entenda

Marina Abramovic é uma referência na arte contemporânea. E, embora seja a artista performática mais importante da atualidade, com uma carreira de cerca de 40 anos, poucos conheciam seu nome até a semana passada, quando um vídeo envolvendo Marina e seu ex-parceiro Ulay, o também artista alemão Frank Uwe Laysiepen, se tornou um viral no Facebook.

Marina durante a performance no MoMA, na qual o público se sentava em silêncio diante da artista
Getty Images
Marina durante a performance no MoMA, na qual o público se sentava em silêncio diante da artista

O vídeo, com cerca de quatro minutos e meio (veja ao final da página) , é um trecho do documentário da HBO “Marina Abramovic – Artista Presente” (2012), de Matthew Akers, lançado semana passada, e mostra o reencontro de Marina com Ulay ocorrido em plena performance da artista durante a exposição “The Artist is Present” (em português, “A Artista está Presente”) no MoMA de Nova York, em 2010.

“Muito lindo”, “Muito emocionante” e “Amor verdadeiro” foram expressões que reinaram entre os comentários feitos sobre o vídeo, que foi replicado junto a um breve texto sobre as circunstâncias da cena, nem todas descritas corretamente. A expressão de Marina ao reconhecer o antigo parceiro diante de si, dentre 1750 pessoas que se sentaram à sua frente nos três meses da “obra”, é mesmo de encher os olhos. Mas será que também o coração?

Marina Abramovic: trabalho da artista e retrospectiva de 2010 no MoMA são tema de documentário
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Marina Abramovic: trabalho da artista e retrospectiva de 2010 no MoMA são tema de documentário

Do fim da década de 70 a meados dos anos 80, Marina e Ulay viveram uma intensa – e turbulenta – história de amor e de criação conjunta. “Ficamos dez dias na cama. Quando voltei para casa, estava desesperada de amor. Não conseguia andar ou falar”, disse à “The New Yorker”, em 2010, ao lembrar da primeira performance juntos.

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Ao decidirem terminar, transformaram o fim do relacionamento em uma performance. Cada um partiu de um extremo da Muralha da China. Quando se encontraram no meio do caminho, deram um último abraço e, por sete anos, nunca mais se falaram. “Nem uma palavra”, declarou em entrevista à também artista Laurie Anderson, publicada pela revista BOMB em 2003.

Isso porque, apesar de performática, a separação do casal não foi nada poética. Ulay havia engravidado outra mulher e também acusou Marina de traição. As obras produzidas nos anos de parceria amorosa e artística ficaram com o ex-companheiro e Marina teve de comprá-las de volta. Mas acabaram se reconciliando. “Ele me convida de vez em quando para um churrasco na casa dele em Amsterdã, mas ainda há muita dor da minha parte”, disse na mesma entrevista.

O encontro dos dois em plena performance, a surpresa de Marina e o sorriso de Ulay: nada disso deixa de ser emocionante. Marina Abramovic continua fazendo as pessoas chorarem, como fez com tantos que se sentaram à sua frente durante a exposição no MoMA – incluindo aí o ator James Franco e anônimos suficientes para se criar um Tumblr intitulado “Marina Abramovic Made me Cry” (“Marina Abramovic me fez chorar”). Mas o contexto da história é bem mais conturbado – embora não menos belo – do que as redes sociais levaram a supor.

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