No Dia dos Amantes, o Delas relembra algumas das mulheres que tiraram do eixo os mais poderosos e belos e homens do mundo

Marilyn Monroe é lembrada pelo sugerido affair com o ex-presidente norte-americano John Kennedy
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Marilyn Monroe é lembrada pelo sugerido affair com o ex-presidente norte-americano John Kennedy

“Acredito que agora, depois de todos esses anos, podíamos ser amigas, você não acha?”. A sugestão foi feita a Louise, esposa de Spencer Tracy por mais de quatro décadas, por Katharine Hepburn (1907 – 2003), uma das maiores estrelas do cinema e amante do ator por 26 anos. A conversa entre as duas mulheres, registrada via telefone após a morte do galã, em 1967, chegou à imprensa por iniciativa de Katharine, que só levou o caso a público depois da morte de Louise, em 1983, como sinal de respeito.

O fato foi um dos mais comentados no mundo das celebridades no início dos anos 1980, gerando não apenas as tradicionais fofocas, mas diversas mensagens de indignação na direção da atriz, que não se abalou.

Mas muito antes da existência de linhas telefônicas, hotéis discretos e jornais, inúmeras amantes marcaram a história, ora por seus tristes destinos, ora por suas corajosas atitudes ou personalidades marcantes. Na data em que se comemora o Dia dos Amantes, o Delas relembra algumas dessas memoráveis mulheres, também conhecidas como “A Outra”.

Angelina Jolie teria sido a peça fundamental do divórcio de Jennifer Aniston e Brad Pitt
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Angelina Jolie teria sido a peça fundamental do divórcio de Jennifer Aniston e Brad Pitt

Uma das primeiras amantes de que se tem notícia foi Hagar, citada na Bíblia como a serva de Sara, esposa de Abraão. Já de idade avançada, o profeta teve de Deus a promessa de que seria o “pai de uma nação”. Sara, no entanto, não conseguia engravidar e, dominada pela ansiedade, sugeriu que o marido se deitasse com Hagar, que mais tarde daria à luz Ismael. Os acontecimentos acabaram por gerar inúmeros conflitos entre o casal, que, tempos depois, como prometido, teve um filho, Isaque.

O jogo não foi muito favorável para Hagar, que chegou a ser expulsa de casa por Sara, antes de ser perdoada. Milhares de anos depois, no entanto, as melhores cartas ficaram por muito tempo nas mãos de Cleópatra (69 a.C. – 30 a.C.), a mais famosa rainha do Egito, amante de Júlio César e Marco Antônio, e uma das maiores estrategistas de que se tem notícia.

Retratada no cinema por uma Elizabeth Taylor no auge da beleza, na megaprodução de 1963 que leva o nome da rainha, a governante desde muito cedo percebeu a importância das boas relações entre o Egito e o Império Romano. Indo além das necessidades diplomáticas, envolveu-se amorosamente com o imperador romano César e, após sua morte, com Marco Antônio, que controlava a parte oriental de Roma. Encantado pelos dotes de sua musa, ele devolveu a esposa Otávia à família e se casou com Cleópatra. Do relacionamento nasceram três filhos, dois gêmeos, e a desaprovação do Senado romano, que via em seu líder apenas uma marionete nas mãos da rainha. Acuado, o casal não teve final feliz: ambos se suicidaram. Ela, prega a lenda, com o veneno de uma serpente pela qual deixou-se picar. Ele, com sua espada.

Destino trágico também teve Ana Bolena (1501 – 1536), amante de Henrique VIII. Filha de aristocratas, a inglesa chegou a dividir com a irmã Maria o papel de concubina do rei, casado com Catarina de Aragão. Assim como Cleópatra, chegou ao posto de esposa oficial e, ambiciosa, usou todos os seus conhecimentos para chegar ao trono. Mas Ana defendia propostas que não agradavam a realeza, entre elas uma aliança com a França e o repasse de recursos da Igreja Católica a instituições beneficentes e educacionais. Vítima de intrigas, terminou seus dias sob acusações de traição, adultério e incesto e teve a cabeça cortada. Sua história inspirou filmes e séries. No cinema, a adaptação mais recente teve Natalie Portman como protagonista, enquanto Maria Bolena foi interpretada por Scarlett Johansson, em “A Outra” (2008). A dupla, bem como Henrique VIII, também estrela “The Tudors”, uma das séries televisivas de época mais famosas dos últimos anos.

Katharine Hepburn foi amante do ator Spencer Tracy por quase três décadas
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Katharine Hepburn foi amante do ator Spencer Tracy por quase três décadas

Diplomática igualmente digna dos anais da história, a polonesa Maria Walewska (1786 – 1817) mexeu com as estruturas de Napoleão Bonaparte quando tinha apenas 20 anos de idade. Maria era casada com o conde Athenasius Colonna-Walewski, mas foi convencida por um grupo de aristocratas a se tornar amante do conquistador francês com o objetivo de obter apoio à independência da Polônia, até então sob domínio da Prússia. Durante muitos anos ela escreveu detalhes de sua vida em um diário e, pouco antes de morrer, já casada com outro homem, finalizou suas memórias: “O sacrifício foi completo”, declarou sobre o relacionamento.

É claro que o Brasil não poderia ficar de fora no que diz respeito às amantes mais famosas do mundo. O caso mais conhecido é o da voluptuosa Domitila de Castro do Canto e Melo, mais conhecida como Marquesa de Santos (1797 – 1867), alvo dos afetos do imperador Dom Pedro I. O português e Domitila se conheceram poucos dias antes da proclamação da Independência do Brasil, em 1822. Casado com Maria Leopoldina, o imperador sustentou a amante, com quem teve cinco filhos, até 1829, quando, três anos após a morte da esposa, foi pressionado a casar-se com uma jovem de família nobre. Nesse período, acatava a todos os desejos da marquesa, ações que irritavam demasiadamente a corte.

Apesar de amante conhecida, Domitila conseguiu se casar pela segunda vez e, nos últimos anos de vida, dedicou-se a projetos de caridade. Parte de suas aventuras e desventuras foi contada na novela “Marquesa de Santos” (1984), da extinta TV Manchete, e na minissérie “O Quinto dos Infernos” (2002), da Rede Globo, produções nas quais foi interpretada por Maitê Proença e Luana Piovani, respectivamente.

Na história mais recente, as amantes famosas circularam pela literatura e pelos bastidores do cinema. Representante do movimento feminista (e de linhas eróticas que deixavam as mais carolas de bochechas vermelhas), a escritora francesa Anaïs Nin (1903 – 1977) dizia que o mundo só se movia corretamente quando ela estava nos braços de seu amado, o autor americano Henry Miller. Os dois se conheceram na casa de Anaïs, em Paris, a convite de seu marido, o banqueiro Hugh Guiler, que tinha por hábito armar festas em torno de artistas. Há quem diga que a francesa, além de morrer de amores pelo escritor, apaixonou-se por sua mulher, June, formando um triângulo amoroso perfeito para as mentes mais criativas.

Da boemia literária para o cinema, dois ícones de beleza ganharam as manchetes por conta de suas supostas relações ilícitas. Marilyn Monroe (1926 – 1962) é eternamente lembrada pelo sugerido affair com o ex-presidente norte-americano John F. Kennedy, a quem dedicou o “Parabéns Pra Você” mais sexy de todos os tempos, no aniversário de 45 anos do político, em 1962. E Angelina Jolie, de 37 anos, é vista como peça fundamental do divórcio de Jennifer Aniston e Brad Pitt, com quem contracenou em “Sr. e Sra. Smith” (2005). Nem ele nem ela confirmam o envolvimento enquanto Pitt ainda era casado, mas é fato que, mesmo antes de ter o divórcio oficializado, o galã já acompanhava a atriz em seus compromissos humanitários e planejava dar seu sobrenome aos filhos adotivos da estrela, com quem está até hoje – porque, em boa parte dos casos, tudo o que a amante deseja é tornar-se a oficial.


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