De acordo com pesquisa, problemas gastrointestinais comprometem a vida sexual de 57% das mulheres

Aquela primeira viagem com o novo namorado tem tudo para ser um final de semana de puro romantismo. Não fosse por um “detalhe” que aflige muitas mulheres: como ir ao banheiro dividindo o mesmo espaço com o pretendente?

A dúvida e o desconforto das mulheres com o tema acabam refletindo-se na cama. De acordo com a pesquisa Saúde Intestinal da Mulher (SIM), conduzida pela Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG) e divulgada na última terça-feira (31), os problemas gastrointestinais afetam negativamente a vida sexual de 57% das mulheres. Os mais comuns, segundo os relatos compilados para a pesquisa, são gases, inchaço, sensação de peso e constipação.

Problemas gastrointestinais atrapalham a vida da mulher na cama
Thinkstock Photos
Problemas gastrointestinais atrapalham a vida da mulher na cama

Das 57% das mulheres que acham que sua vida sexual fica comprometida por problemas gastrointestinais, 25% dizem que não conseguem aproveitar o momento, 24% têm medo de soltar gases durante a relação, 22% afirmam ter o apetite sexual reduzido e 17% param a atividade sexual quando sentem desconfortos digestivos.

Faça o teste: Qual o seu perfil sexual?

“A mulher é criada com o estereótipo da limpeza. Ela tem de estar bonita, ser adequada, para ser bem quista. O ato de evacuar entra em conflito com a ideia de imaculada que a mulher tem que passar”, diz a psicóloga Pamela Magalhães, especializada em transtornos alimentares. “Não cheira bem, está sempre ligado a algo sujo. Então, quebra o encanto”, completa.

Quando a mulher reprime a vontade de ir ao banheiro várias vezes consecutivas, o cérebro entende que aquilo não é mais necessário. Com o tempo, perde-se o estímulo frequente e o intestino fica preguiçoso. Essa situação causa dor, estufamento e constipação.

“É um círculo vicioso que se estabelece. Ela segura tanto e quando quer, não funciona. O problema passa a ser fisiológico”, analisa Guilherme Rodrigues, especialista em ciência dos alimentos e responsável pelo centro de pesquisa da Danone, uma das responsáveis pelo estudo.

“Podemos mudar as causas comportamentais dos problemas intestinais e é aí que temos que mexer”, declara José Galvão-Alves, presidente da Federação Brasileira de Gastroenterologia.

Leia mais:  Desregulagem hormonal e fatores que afetam a libido

Os números não causaram espanto na antropóloga Miriam Goldenberg, que há 25 anos estuda as diferenças entre homens e mulheres. “A mulher não consegue ter tesão nem mesmo quando está trabalhando muito. Se ela está mau-humorada, com dor, com barriga estufada e se sentindo feia, vai ser muito difícil ir para cama, relaxar e gozar”, explica.

Miriam ressalta também que a mulher precisa entender melhor o próprio corpo e lembrar que o funcionamento do intestino e suas consequências fazem parte da natureza humana. “Ela tem vergonha. Se conseguir se lembrar que 100% das pessoas têm gases e que precisarão expeli-los de alguma forma, talvez fique mais fácil lidar com essa sensação de inadequação”, recomenda.

Veja ainda:  Mais mulheres usam produtos para aumentar a libido

A antropóloga aconselha enfrentar a questão de duas formas: a primeira, é fingir que não acontece. “Tanto ele quanto ela podem fingir que não ouviram ou sentiram nada.” A segunda é encarar de maneira divertida. “A mulher não precisa ser uma princesinha cor-de-rosa. Então, porque não brincar com isso? O pior é fazer um drama ou evitar ter prazer por causa disso”, afirma. E completa: “é a tática que eu vou adotar”.

Mais de Amor e Sexo: 
Socorro, minha libido sumiu! 
“Sem Tarja Preta”: vídeo esclarece tabus sobre sexo para mulheres
Argentinos recorrem a hipnose para incrementar prazer sexual 

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.