Amor sem fronteiras: relacionamento à distância funciona?

Por Cáren Nakashima

Texto

Relacionamento à distância funciona, sim, desde que vocês mantenham duas coisas sob controle: o ciúme e a conta bancária (é isso mesmo o que você leu!)

Em tempos de globalização, quando as empresas não pensam duas vezes em expatriar seus profissionais e a internet permite encontros virtuais, nada é mais normal do que manter relacionamentos amorosos com quem não está no mesmo ponto que você no mapa mundi. Mas como fazer uma relação à distância dar certo?

O primeiro passo é se fazer presente. O segundo, usar e abusar da tecnologia, como e-mails, msn e sites de relacionamento. E, por último, tem que aprender a lidar com a ansiedade e a saudade, sugere Alexandre Bez, psicólogo especialista em relacionamentos, ansiedade e síndrome do pânico.

Mas e o ciúme? Claro que rola, mas eu não fico pegando no pé, marcando em cima, ligando para saber onde ele está... Acho que um pouco de ciúmes faz parte do relacionamento e existiria mesmo se morássemos sob o mesmo teto, conta Luiza Curado, 31, economista. Ela vive no Rio de Janeiro e namora há dois anos o Flávio, 32, que mora em São Paulo há um ano e meio por conta do trabalho.

Quando surgiu a proposta, ele veio conversar comigo. Ele queria ir, era uma boa oportunidade para ele, mas o foco da conversa foi trocar uma ideia, ver o que eu achava, discutir prós e contras e não simplesmente me informar que estava partindo. Acho que este approach fez toda a diferença, pois me senti incluída nos seus planos. Assim, encarei numa boa. Dei força para ele ir, pois era importante para ele. Naquele momento, acreditei que o que tivesse que ser, seria. Se nos gostássemos o suficiente, passaríamos por isso, lembra.

Claro que a distância relativamente curta da ponte-aérea ajuda, mas há quem tenha mantido o namorado a muitos e muitos quilômetros, como é o caso da coordenadora de projetos Juliane Salami, 26, que namora o belga Olivier Devaux, 27, há quase quatro anos. Nos conhecemos em Bruxelas, em 2005. Começamos a namorar e, depois de um ano, quando o meu programa terminou, arrumei um curso na Universidade de Barcelona para continuar na Europa, principalmente por causa dele.

Resumo da ópera: depois de anos encontrando-se de quatro em quatro meses ¿ ora no Brasil, ora na Bélgica ¿ em 2008, Olivier conseguiu uma posição em uma empresa de consultoria multinacional e veio para o Brasil. Mais precisamente para São Paulo, a cidade natal de sua amada.

Porém, para testar a resiliência do casal e provar que o amor à distância realmente pode dar certo, ele acabou de ser enviado para Belém, no Pará, por conta do trabalho. Claro que eu não gostei muito da ideia, afinal ele veio para o Brasil para termos uma relação normal, mas o projeto é muito importante para a sua carreira. Nessas horas a gente tem que pensar a longo prazo e abstrair um pouco. Conseguimos nos ver a cada duas semanas, o que é bem melhor do que antes! E continuamos dividindo as passagens e os gastos para não pesar demais financeiramente, conta Juliane.

Controlando os gastos

Lembra quando a sua avó dizia que quando a miséria entra pela porta, o amor sai pela janela? A máxima é totalmente aplicável aos relacionamentos interestaduais ou intercontinentais. Afinal, haja amor para suportar contas telefônicas astronômicas e o montante gasto com a quantidade de passagens aéreas ou rodoviárias. Fizemos um acordo de que, a cada mês, eu vou um fim de semana para São Paulo e o Flávio vem três vezes para o Rio. Isso foi baseado principalmente em duas coisas: a grana ¿ ele ganha mais do que eu ¿ e o fato dele preferir vir para o Rio do que ficar em São Paulo, por conta da família, dos amigos, as praias, natureza..., exemplifica Luiza.

Já o casal Ivana e Eduardo, ambos de São Paulo, estão pensando em contratar um plano telefônico móvel daqueles com rádio. O Eduardo está trabalhando na Argentina e os gastos com comunicação ficaram absurdos, explica.

Uma boa estratégia para driblar a impessoalidade da internet (até porque não dá para usar a webcam do ambiente de trabalho, certo?), é fazer uma pesquisa detalhada com as operadoras de telecomunicações e adquirir um plano vantajoso para poder ouvir a voz do outro e renovar as juras de amor (ai, ai!), com boas tarifas para ligações a longa distância. Agora, com a nova lei que visa a melhora no atendimento telefônico ao cliente, há grandes chances de você conseguir um bom negócio, para o bolso não sofrer junto com o coração.

Veja sempre o lado positivo

Acredite, se ele escolheu ficar com você apesar da barreira do espaço físico, é porque realmente está comprometido com a causa. Do contrário, continuaria vivendo a filosofia marinheira de um amor em cada porto. E, como qualquer relacionamento sério, este não é diferente e deve ser baseado no respeito e confiança mútuos. Apenas tome cuidado com a armadilha da falsa interpretação da liberdade. Devido à falta de cobrança presencial, um dos dois pode achar que pode fazer o que bem entender, ressalta Alexandre.

Contornados os percalços, aproveite a experiência, como fez a Luiza: No começo, por incrível que pareça, foi até divertido! Era novidade, pois eu ia para São Paulo, passeava, conhecia coisas novas, passei a gostar da cidade ¿ que só tinha visitado na correria, a trabalho, e lá sempre tem alguma coisa nova para fazer.

Aproveite o tempo livre para estar perto da família e dos amigos, inscreva-se naquele curso (ou na academia) que ocupa as noites da semana. Apesar da saudade ser um dos sentimentos mais doloridos, ela pode ser uma alavanca para você despertar o seu lado mais criativo, então escreva uma longa carta, mande um cartão postal, componha uma música ou crie um álbum de fotos com a história de vocês. Quem tem o amor por perto, grudado 24 horas por dia, não tem tempo para fazer nada disso.


Leia mais sobre: relacionamentos

Leia tudo sobre: comportamentodistânciamulherrelacionamentorelação
Texto

notícias relacionadas