Parece que elas est?o de volta! Ainda n?o s?o muitas, mas o movimento de volta ao lar cresce a cada dia. Mulheres que largaram a carreira estavel para cuidar do home, sweet home. Outras, n?o largam o trabalho por nada, mas tem um apreco imenso pelas coisinhas domesticas. Conheca um pouco dessa tendencia da busca pelo aconchego do lar

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Trabalho, trabalho, trabalho. Ha uma grande camada de mulheres que se dedicam exclusivamente as suas atividades profissionais. Depois de alguns seculos de luta pelo reconhecimento, por igualdade de direitos e pela diferenciac?o entre os sexos (sim, elas n?o s?o iguais aos homens), agora elas n?o tem medo de fazer o que querem. E se a escolha for ser dona de casa, qual o problema? Ha as que gostam de coisinhas do lar e falam sobre isso com todo orgulho. Outras abandonaram a correria do dia-a-dia de trabalho para fazer com muito prazer aquela atividade que parecia ter ficado nos anos vividos pelas m?es e avos: manter a casa em perfeita harmonia.

O trabalho trouxe novos problemas: competic?o, estresse, busca de perfeic?o, cansaco, injusticas. O que torna o mundo familiar mais atraente como o "refugio" de tudo de negativo que existe no ambiente profissional. A casa passa a ser o lugar da protec?o, do afeto, do amor, da realizac?o como mulher, reflete a antropologa Mirian Goldenberg, autora do livro Toda Mulher e Meio Leila Diniz (Editora Record).

Plano B

A paulistana Ruth Mendes, 36 anos, dedicava horas do seu dia a uma multinacional. Desde que se formou em Comercio Exterior, aos 22 anos, a atual empresaria vivia entre viagens e reuni?es. O meu lar n?o tinha mais a minha cara. A empregada organizava tudo do jeito dela. Eu nunca tinha tempo para prestar atenc?o na rotina da casa, relembra Ruth. Apos um estresse cronico, ela partiu para o plano B: abriu uma consultoria, organizou o proprio horario de trabalho e foi se dedicar a um prazer quase esquecido: cuidar das coisinhas de casa.

Agora eu faco minha comida, cuido das minhas roupas e ate do meu jardim. Ganho menos dinheiro, mas tenho mais qualidade de vida que, para mim, e poder curtir as coisas simples. N?o abro m?o de ser a dona da minha casa, comemora a consultora.

Decidir entre ser uma excelente profissional e uma dedicada dona de casa e algo super atual. A principal diferenca com relac?o as outras gerac?es e que hoje e uma escolha da mulher investir neste mundo do afeto e n?o uma obrigac?o social a ser desempenhada. A mulher de hoje tem muito mais escolhas e pode investir ou n?o no mundo familiar, ressalta a antropologa.

Gosto sim, e dai?

A arquiteta Clara Romeno, 29 anos, fez a escolha dela e n?o se arrepende. Casada ha quatro anos com um publicitario, sempre quis ser dona de casa. Dedicar-me em tempo integral ao lar era um desejo antigo. Mas todo mundo sempre dizia que era um absurdo, que eu tinha que estar no mercado de trabalho, desabafa Clara.

Quando soube da gravidez, n?o pensou duas vezes: largou o emprego e foi cuidar da familia. Quando fiquei gravida, uni o util ao agradavel. Sem cobrancas externas e por uma causa magnifica, parei de trabalhar e fui cuidar do meu filho e do meu marido, fala com orgulho. E quando o assunto e independencia, ela responde no ato: Se eu perdi o meu espaco? N?o. Aumentei. Quem manda la em casa sou eu, responde as gargalhadas.

Rainhas do lar (porem, independentes!)

A moda pegou tanto que foi parar na internet. E o caso do site Rainhas do Lar , feito para aquelas que adoram cuidar do seu cantinho. Criado por Katia Najara e Faby Zanelati, as duas com 37 anos, elas tem o maior orgulho de cuidar da casa. Somos rainhas do lar modernas que trabalham fora, mas adoram cozinhar, receber os amigos, cuidar da casa, da rotina, conta Katia.

Ela e diretora de Espacos Culturais da Fundac?o Cultural do Estado da Bahia e ainda tem uma empresa de celebrac?es. Mesmo com muito trabalho, ela n?o dispensa uma casa em ordem. Saio de casa de manh? e passo o dia fora. E no final de semana e quando me jogo pra cozinhar pros amigos, ir ao supermercado, consertar aquele encanamento. Sou totalmente rainha do lar, gosto de cuidar de tudo, revela.

Trabalhar fora n?o impede que muitas mulheres sejam eximias gestoras do lar. Pelo contrario, isso e o que da suporte para o resto: Para ter essa tranquilidade de curtir minha casa, tenho que ter independencia. Preciso de grana para comprar minha propria toalha de mesa, minhas flores, admite ela.

O resgate aos valores familiares e do lar retoma um questionamento ja esquecido. A contemporaneidade, totalmente carente de valores solidos que venham a dar contorno e reestabilizar as relac?es humanas, traz de volta esta quest?o: qual o papel da mulher na sociedade de hoje? O retorno ao lar e uma tentativa de resposta a esta pergunta, comenta Cristina Maria Magalh?es, psicologa formada pela PUC-SP e psicoterapeuta de orientac?o psicanalitica.

As dicas de Clarice Lispector

O livro So Para Mulheres ? Conselhos, Receitas e Segredos (Ed. Rocco), organizado por Aparecida Maria Nunes, e uma coletanea de colunas femininas escritas por Clarice Lispector assinada com seus pseudonimos. Publicadas nos jornais Correio da Manh?, Diario da Noite e Comicio, e um desenho da mulher brasileira dos anos 50 e 60. Soluc?es para pequenos problemas domesticos, questionamentos sobre a educac?o dos filhos, dicas de beleza, tudo encarado com o olhar indagador de Clarice.

Veja um trecho assinado por um de seus pseudonimos, Ilka Soares:
A beleza de uma casa esta nos detalhes. Ha donas de casa que tem o dom de criar cantinhos. E como se elas desdobrassem a propria personalidade e espalhassem graca. Olham uma parede vazia ? e dai a pouco a imaginac?o comeca a trabalhar, a encher aquele trecho inexpressivo da casa. Em breve temos o que passa a ser um cantinho. Essa parede alegre, por exemplo, pode ser na cozinha, no banheiro, no quarto. Pode-se fazer uma parede viver ? sem usar quadros propriamente ditos. Objetos bem distribuidos tambem s?o pictoricos.

Aproveite a inspirac?o. E, se for o seu caso... ja para casa, menina!

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