Série de TV nos Estados Unidos mostra anônimos e famosos discutindo felicidade, medos e outros sentimentos humanos

MiGComponente_C:1237535925092 Ficamos sabendo que aqueles dias preguiçosos de final de ano terminaram quando a TV aberta coloca no ar um especial de seis horas de duração, divido em três noites, conduzido por um psicologista social da Universidade de Harvard. Chegou a hora, pelo menos é o que parece, de voltarmos a usar nossos chapéus pensadores.

O programa “ This Emotional Life ”, que acaba de ir ao ar na TV aberta americana, na verdade, não demanda grande esforço cerebral – partes dele são até bastante leves, como os conselhos que o Dr. Phil ofereceria. O programa, porém, requer um maior comprometimento do que a maratona de reapresentações que inundam a televisão nos dias atuais.

O psicólogo Daniel Gilbert se sai muito bem como apresentador ao observar uma série de emoções humanas e o que acontece quando elas ficam fora de controle. De forma geral, o objetivo do programa é criar uma imagem da felicidade humana e os obstáculos para alcançá-la.

Pode ser que aqueles cuja busca pela felicidade envolva compras frequentes de bilhetes de loteria queiram levar em conta outras estratégias. “Como é de conhecimento dos cientistas, relacionamentos bem sucedidos, mais do que qualquer outro fator, são a chave da felicidade humana”, diz Gilbert no início no início da série, antes de voltar à noção do que traz e do que não traz felicidade.

Ele nos mostra dois interessantes casos na primeira parte da série. Um deles é um emocionante relato de um casal de Wisconsin, cujo filho adotivo de 13 anos, que veio de um país do Leste Europeu ainda bem criança, teve dificuldades em criar laços afetivos com o casal e de se relacionar com pessoas em geral (“Esse não era o pai que eu queria ser”, diz o pai do garoto no trecho mais tocante do relato). O outro caso mostra um homem que sofre da síndrome de Asperger e não consegue decifrar os sinais emocionais que outras pessoas lhe dão.

Apesar de, no início, a série fazer uso de diversas celebridades de forma estranha, algumas delas tiveram certa relevância no decorrer dos capítulos. Ver a cantora Alanis Morissette ou o escritor Adam Gopnik expondo suas opiniões sobre a raiva pode parecer desnecessário, mas o que dizer do tenista John McEnroe, notório por sua impetuosidade? Faz todo o sentido.

Tem também o cartunista nova-iorquino Roz Chast, comentando sobre a habilidade unicamente humana de temer algo que ainda não aconteceu – e provavelmente não acontecerá. Ele diz: “Quando estou andando pelas ruas e começo a imaginar que os aparelhos de ar condicionado suspensos nos prédios podem cair sobre minha cabeça, mesmo que alguém me diga que há uma chance de um em um milhão que algo aconteça, penso que essa cidade tem 8 milhões de pessoas, então, na verdade, são muitos os aparelhos de ar condicionado”.

É, pelo menos para os que moram em Nova York, é mais uma razão para preocupações.

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