Defensora do parto normal em casa, Micheliny Verunschk afirma que só se submeteria a uma cesárea se ela fosse realmente necessária

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Ela pode ser necessária em vários casos.Mas no Brasil ela é usada para conforto de alguns. Se precisar de uma cesárea por qualquer motivo justo, me submeto. De outro modo, não me arrisco, afirma.

Apesar do esforço da Agência Nacional de Saúde Suplementar em estimular os partos normais, a cesárea hoje em dia é vista com bons olhos por muitos médicos. O melhor tipo de parto é aquele que vai ser melhor para a mãe e para o recém-nascido, seja ele vaginal ou cesárea, afirma o ginecologista Mário Cavagna Neto, membro da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana ¿ SBRH.

Não faço parte do grupo de obstetras que acham que o parto tem que ser vaginal a todo custo. Acho que depende do caso e que a cesárea, quando bem feita, em condições adequadas e por profissionais competentes, é um parto seguro e sem risco, garante.

Para que esse parto programado não ocorra com risco, alerta Mário Cavagna Neto, o médico tem que ter acompanhado a mãe desde o início da gravidez e ter certeza da idade gestacional.

Um dos fatores que aumenta cada vez mais o número de cesáreas no Brasil, segundo o próprio ginecologista, é a conveniência do médico. A maior parte dos obstetras trabalham com planos de saúde, que pagam muito pouco. Para você acompanhar um parto normal, o médico tem que ficar pelo menos seis horas à disposição da paciente. Em uma cesárea, ele resolve o caso em uma hora, afirma.

Algumas mães também vêem na rapidez do procedimento cirúrgico uma vantagem. A cesárea tem tempo certo para começar e acabar. É rápido. Lembro que em menos de 20 minutos, desde a hora em que entrei no centro cirúrgico, eu vi o rostinho da minha filha. Essa é a vantagem: você não fica durante um tempão tendo as contrações até hora em que o bebê nasce.  É tudo mais tranqüilo e rápido. O problema é o depois. Dores, muitas dores. Talvez eu não tenha sido mulher o suficiente para encarar um parto normal, conta Camila Dourado.
No entanto, o parto normal é fundamental em alguns casos.

Se a mulher quiser ter muitos filhos, é melhor que seja parto normal, indica Mário Cavagna Neto. Um outro caso é o de uma paciente com corioamnionite, ou seja, que rompeu a bolsa e teve uma infecção. Esse parto deve ser induzido e vaginal. Vai ser muito melhor para a mãe, porque o útero está infectado e essa infecção pode ser generalizar, explica. Quando o feto está morto, também é melhor que o parto seja vaginal.

O médico lembra, ainda, que mesmo em casos onde a mãe já passou de 40 semanas de gestação, é possível induzir um trabalho de parto através de medicações, caso não tenha havido nenhum sinal. Mas para ter parto normal é preciso ter uma proporção céfalo-pélvica. O tamanho da cabeça do bebê tem que ser proporcional à bacia da mãe, afirma.

A boa notícia é que, mesmo depois de uma cesárea, normalmente a mulher pode ter um parto normal. Depois de duas cesáreas, ela ainda pode ter parto vaginal, mas consideramos que é mais arriscado por causa da cicatriz que fica no útero, explica o médico. Depois de apenas uma cesárea, não há problema nenhum, completa.

Duas experiências
A atriz Karlla Braga, 30 anos, pode falar com autoridade tanto da cesárea quanto do parto normal. Depois de um primeiro parto normal, quando estava com oito meses da segunda gestação, ela descobriu que o bebê estava com circular de cordão. Isso me amedrontou um pouco. Quando cheguei à maternidade, a bolsa havia rompido e havia um corrimento que, segundo a médica, podia ser um possível sofrimento fetal, relembra.

Depois de ter passado pelas duas experiências bem distintas, Karlla conhece bem as diferenças. Claro que no parto normal a recuperação é imediata. A criança nasce e você se sente pronta para encarar uma partida de futebol. Na cesárea, eu me incomodei por ter que tomar aquele monte de antibiótico mesmo amamentando. Senti uma dor horrível quando fui levantar a primeira vez da cama, conta. Mas fui feliz nos dois casos, completa.

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